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Evento da EPAGRI debate avanços do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças na produção de grãos

Evento da EPAGRI debate avanços do Sistema de Plantio Direto de Hortaliças na produção de grãos

Imagem Ilustrativa Freepik

Simpósio reuniu especialistas e agricultores para discutir novas técnicas e estabilidade produtiva.


Seara sediou na semana passada, um evento voltado para o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), com ênfase na produção de grãos. A iniciativa teve como objetivo debater e difundir práticas agrícolas que promovam a saúde das plantas, reduzindo a dependência de insumos químicos e garantindo maior estabilidade produtiva ao longo dos anos.

O evento contou com a presença de especialistas renomados, como Jamil Abdallah Fayad, um dos idealizadores do SPDH, e Marcelo Zanella, coordenador de ensino da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI). Na quarta-feira, dia 26, foi realizada uma capacitação para técnicos da EPAGRI e de outras instituições. Já na quinta-feira, dia 27, os debates se voltaram para os agricultores, que puderam conhecer mais sobre o sistema e seus benefícios.

A reportagem da Rádio Rural conversou com Elvio Izaias da Silva, engenheiro agrônomo, extensionista da Epagri em Seara. Na oportunidade, Elvio trouxe mais detalhes sobre o evento e também explicou como funciona o sistema.

“O SPDH foi originalmente desenvolvido para a produção de hortaliças, mas tem sido adaptado para culturas de grãos devido à sua abordagem inovadora. O cerne do sistema é a saúde das plantas, uma vez que plantas mais saudáveis suportam melhor as adversidades climáticas, garantindo maior estabilidade na produção. Nos últimos anos, eventos climáticos extremos impactaram a produtividade agrícola, tornando ainda mais essencial a adoção de técnicas sustentáveis.”, explicou o extensionista.

O sistema propõe a adoção de práticas como a rotação de culturas e o uso de plantas de cobertura para melhorar a biodiversidade do solo. “A ciclagem de nutrientes é outro aspecto-chave: em vez de aplicar fertilizantes diretamente nas culturas comerciais, a estratégia consiste em adubar o sistema como um todo, permitindo que as plantas de cobertura decomponham e liberem os nutrientes de forma gradual.”, elucida Elvio.

“Outro diferencial do SPDH é sua abordagem coletiva e participativa. A implantação é feita por meio de "lavouras de estudo", onde pequenos grupos de agricultores experimentam o sistema antes de adotá-lo em maior escala. O conhecimento é construído de forma colaborativa, combinando a experiência prática dos agricultores com a expertise técnica dos especialistas.”, completa o engenheiro agrônomo.

REDUÇÃO NO USO DE HERBICIDAS

A redução do uso de herbicidas também é um dos objetivos do sistema. Com uma cobertura adequada do solo, a germinação de plantas invasoras é inibida, diminuindo a necessidade de produtos químicos. Além disso, a diversidade de culturas favorece o controle natural de pragas e doenças, reduzindo o uso de inseticidas e fungicidas.

“Apesar das semelhanças com o Sistema de Plantio Direto convencional, o SPDH se diferencia por sua complexidade metodológica e pelo enfoque no fortalecimento das relações entre os agricultores e os técnicos. A abordagem integrada e participativa tem mostrado resultados promissores, indicando que o SPDH pode se tornar uma alternativa viável para ampliar a sustentabilidade da agricultura na região.”, finaliza o profissional da Epagri.

Com o avanço das pesquisas e o interesse crescente dos produtores, a expectativa é que o SPDH continue ganhando espaço e contribuindo para uma agricultura mais equilibrada e resiliente.


Por Rafael Martini / Radio Rural 
03/03/2025 às 05h00 | Atualizada em 03/03/2025 - 05h56