Anvisa aprova 14 novas canetas para diabetes e obesidade em 2026; preços começam em R$ 84
Fim da exclusividade da semaglutida abriu espaço para novos medicamentos no Brasil. Especialistas alertam que preço, eficácia e possíveis efeitos colaterais devem ser avaliados antes da escolha do tratamento.
O mercado brasileiro de medicamentos para diabetes tipo 2 e obesidade passou por mudanças importantes em 2026. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou 14 novas apresentações de medicamentos injetáveis utilizados nesses tratamentos, ampliando as opções disponíveis e abrindo espaço para produtos com preços mais acessíveis.

Anvisa-Divulgação
A principal mudança ocorreu em março, com o fim da exclusividade comercial da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, fabricados pela farmacêutica Novo Nordisk. A partir daí, outras empresas passaram a obter registros para comercializar medicamentos com a mesma substância.
Conforme levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo, as aprovações deste ano incluem dez produtos à base de semaglutida, três de liraglutida e uma nova apresentação do Mounjaro, medicamento que utiliza a tirzepatida.
A ampliação da oferta, entretanto, não significa que todos esses produtos possam ser utilizados da mesma maneira. As indicações, doses, resultados esperados e possíveis efeitos adversos variam conforme o medicamento e as condições de saúde de cada paciente.
Novas opções podem reduzir o custo do tratamento
Uma das principais novidades é a chegada de alternativas mais baratas à base de semaglutida.
O Ozempic, que se tornou conhecido pelo uso no controle do diabetes e pela perda de peso associada ao tratamento, apresenta preços anunciados a partir de R$ 975 nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg, por meio do programa de descontos da fabricante. A apresentação de 1 mg custa aproximadamente R$ 999.
Já o Ozivy, uma das novas opções de semaglutida, chegou ao mercado com preços anunciados entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.
A diferença é significativa para pacientes que precisam utilizar o medicamento continuamente. Ainda assim, a comparação deve considerar a dose, a quantidade de medicamento por embalagem e a duração do tratamento.
A semaglutida atua de maneira semelhante ao hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo organismo. Sua ação contribui para controlar a glicose no sangue, reduzir o apetite e aumentar a sensação de saciedade.
Liraglutida tem apresentações anunciadas a partir de R$ 84

Foto: Maurício Noschang
Outra substância que ganhou espaço em 2026 foi a liraglutida, também pertencente à classe dos medicamentos que atuam sobre os receptores de GLP-1.
Em junho, a Anvisa aprovou o Liraclick, da farmacêutica Germed. Posteriormente, foram autorizados dois medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS, destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
A EMS já comercializa os medicamentos Olire, indicado para obesidade, e Lirux, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2.
As apresentações são anunciadas a partir de R$ 84 em algumas redes de farmácias na internet. Esse valor, porém, não representa necessariamente o custo total do tratamento, que depende da dose prescrita e da quantidade utilizada.
Pela legislação brasileira, medicamentos genéricos devem apresentar preço pelo menos 35% inferior ao do medicamento de referência.
Mounjaro continua protegido por patente
Entre os medicamentos mais conhecidos está o Mounjaro, produzido pela farmacêutica Eli Lilly.
Seu princípio ativo é a tirzepatida, substância que atua sobre dois receptores hormonais relacionados ao controle metabólico: GLP-1 e GIP.
Essa característica diferencia o medicamento das opções que atuam exclusivamente sobre o GLP-1, como a semaglutida e a liraglutida.
Estudos clínicos demonstram que a tirzepatida pode proporcionar reduções expressivas de peso em pacientes que atendem aos critérios de indicação. Entretanto, o custo elevado pode dificultar a continuidade do tratamento.
Como a substância permanece protegida por patente no Brasil, o Mounjaro continua sendo a única opção de tirzepatida aprovada pela Anvisa.
Outro medicamento disponível é o Trulicity, à base de dulaglutida, também fabricado pela Eli Lilly. Ele é indicado para diabetes tipo 2, mas apresenta menor efeito médio sobre a perda de peso quando comparado à semaglutida e à tirzepatida.
Qual medicamento é mais indicado?
Apesar da maior variedade de produtos, especialistas alertam que a escolha não deve ser baseada apenas no preço ou na expectativa de emagrecimento.
A endocrinologista Bruna Marinho, coordenadora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, explica que a definição do tratamento precisa considerar o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, a presença de outras doenças e a possibilidade de manter o uso do medicamento por períodos prolongados.

© Marcello Casal jr/Agência Brasil
Isso porque tanto a obesidade quanto o diabetes são doenças crônicas, que frequentemente exigem acompanhamento e tratamento contínuos.
A endocrinologista Alana Rocha, professora da Afya Educação Médica Vitória, também chama a atenção para as condições individuais de cada paciente.
“A gente precisa avaliar várias coisas, principalmente as comorbidades que o paciente possui. Se é um paciente obeso e diabético, se é um paciente obeso com problemas no fígado ou com problemas cardíacos. Nem sempre a transição é possível”, explica.
Os efeitos colaterais também precisam ser considerados. Entre os mais frequentes estão náuseas, refluxo, dores abdominais, constipação e alterações no funcionamento intestinal.
Automedicação exige atenção
Com a popularização das chamadas canetas emagrecedoras, médicos reforçam que esses medicamentos não devem ser utilizados sem prescrição e acompanhamento profissional.
A troca de uma substância por outra, mesmo quando pertencem à mesma classe, exige avaliação médica. As doses não são necessariamente equivalentes, e cada produto possui indicações e orientações específicas.
Além disso, o registro de um medicamento pela Anvisa não significa que ele esteja imediatamente disponível em todas as farmácias.
A ampliação da concorrência poderá favorecer a redução de preços, mas o acesso ao tratamento continuará dependendo de fatores como disponibilidade, indicação clínica e capacidade financeira do paciente.
Para quem já utiliza alguma dessas medicações, a recomendação é não interromper ou substituir o tratamento por conta própria.
Fonte: Folha de S.Paulo, com informações sobre registros da Anvisa e declarações de especialistas.
Nota editorial: os preços apresentados são valores anunciados no material de referência, sujeitos a alterações conforme farmácia, apresentação e programa de descontos. A relação completa dos 14 registros não foi fornecida, portanto não é possível identificar individualmente todas as novas apresentações nesta matéria.
Por Redação AU/AssessoriaPublicado em 21/10/2026

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