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México suspende importação de produtos avícolas do Brasil após confirmação de Newcastle em SC

Medida atinge carne de aves, ovos férteis e pintinhos. Governo federal decretou emergência zoossanitária em quatro municípios do Oeste catarinense, onde cerca de 133 propriedades estão sob monitoramento.

México suspende importação de produtos avícolas do Brasil após confirmação de Newcastle em SC

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus no Oeste de Santa Catarina já provoca consequências para as exportações brasileiras. Nesta segunda-feira (19), o México anunciou a suspensão da entrada de produtos avícolas provenientes do Brasil, como medida de proteção ao seu plantel.

A decisão foi comunicada pelo Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade Agroalimentar (Senasica), órgão ligado à Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural do governo mexicano.

A restrição inclui carne de aves, miúdos, subprodutos, ovos férteis e pintinhos com até três dias de vida. Também estão impedidas de ingressar no país aves ornamentais, aves canoras, aves de rapina destinadas ao comércio e aves transportadas como animais de estimação.

O bloqueio vale tanto para operações comerciais quanto para produtos levados por turistas. Segundo as autoridades mexicanas, a medida segue protocolos internacionais de sanidade animal e busca preservar a condição sanitária do país, considerado livre da doença de Newcastle.

A suspensão ocorre após o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmar a presença do vírus em uma propriedade rural de Nova Itaberaba, município próximo a Chapecó, no Oeste catarinense.

Emergência sanitária atinge quatro municípios de Santa Catarina

Diante da confirmação, o governo federal decretou, também nesta segunda-feira (19), estado de emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

A medida foi oficializada pela Portaria MAPA nº 962, publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O decreto permite ampliar as ações de controle sanitário, com o objetivo de eliminar o foco e impedir que o vírus alcance outras propriedades avícolas.

A confirmação laboratorial ocorreu no domingo (18), após análises de amostras coletadas entre 21 de setembro e 14 de outubro. O caso foi identificado durante atividades de vigilância realizadas pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina.

A proximidade dos municípios atingidos com o Norte do Rio Grande do Sul também coloca o setor avícola do Alto Uruguai em atenção, especialmente pela importância econômica da produção de aves e pela integração das atividades agroindustriais entre os dois estados.

Até o momento, as informações divulgadas pelas autoridades não indicam a identificação de focos da doença em território gaúcho relacionados à ocorrência catarinense.

Granja com 6 mil perus foi interditada

A propriedade onde o vírus foi identificado possui aproximadamente 6 mil perus de corte. Após a confirmação, a granja foi interditada e a movimentação das aves suspensa.

Um detalhe chama a atenção: mesmo com a presença do vírus detectada em laboratório, os animais não apresentavam sinais clínicos da doença, conforme informações do Ministério da Agricultura e de entidades do setor.

Segundo o Mapa, as aves permaneceram na propriedade e não foram encaminhadas para a produção de carne destinada ao consumo.

Entre as providências sanitárias previstas estão a eliminação das aves da granja, seguida da limpeza e desinfecção das instalações. O trabalho é conduzido por equipes federais e estaduais de defesa agropecuária.

O monitoramento também foi ampliado para aproximadamente 133 propriedades localizadas na área de restrição sanitária, abrangendo os quatro municípios catarinenses.

As equipes acompanham as condições dos plantéis, investigam possíveis vínculos epidemiológicos e fiscalizam a movimentação de aves para reduzir o risco de disseminação do vírus.

Exportações brasileiras entram em alerta

A decisão mexicana representa uma consequência comercial imediata da confirmação da doença em Santa Catarina.

Para colocar a suspensão em prática, o Senasica desativou os requisitos zoossanitários que autorizavam a importação dos produtos brasileiros incluídos na medida.

O Ministério da Agricultura informou que está comunicando oficialmente a ocorrência aos parceiros comerciais e apresentando as providências adotadas para o controle do foco.

O impacto sobre as exportações dependerá das exigências sanitárias previstas nos acordos entre o Brasil e cada país importador. Alguns mercados podem adotar restrições nacionais, enquanto outros reconhecem a regionalização sanitária, limitando eventuais bloqueios às áreas afetadas.

Por enquanto, a suspensão anunciada pelo México não significa que os demais compradores internacionais de produtos avícolas brasileiros tenham adotado a mesma medida.

A evolução do quadro sanitário em Santa Catarina e a rapidez das ações de contenção serão determinantes para a avaliação de novas restrições comerciais e para uma eventual retomada das vendas ao mercado mexicano.

 

Por Redação AUPublicado em 20/10/2026 19:21 - Atualizado em 20/10/2026 22:54

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