Fim da escala 6x1 é promulgado: trabalhadores terão duas folgas semanais e jornada reduzida sem perda salarial
Nova Emenda Constitucional prevê adoção da escala 5x2 em até 60 dias e redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais. Mudanças terão período de transição de até 14 meses.
Uma das mudanças mais significativas nas relações de trabalho no Brasil começa a sair do papel. O Congresso Nacional promulgou, nesta sexta-feira (16), a Emenda Constitucional nº 141 de 2026, que estabelece uma nova organização da jornada de trabalho, com duas folgas remuneradas por semana e redução da carga horária, sem diminuição dos salários.
Na prática, a mudança representa uma transformação na rotina de milhões de brasileiros que hoje trabalham seis dias para descansar apenas um. A nova regra estabelece a escala 5x2 como padrão, ampliando o tempo destinado ao descanso, à convivência familiar e à vida pessoal.
Mas a mudança não acontecerá de uma só vez. O texto prevê uma transição gradual, com prazos diferentes para a redução da jornada e regras específicas para determinadas categorias.
O que muda nos próximos 60 dias?
Pelas novas regras, as empresas terão até 60 dias, contados da promulgação, para adequar suas jornadas ao modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana.
Nesse primeiro momento, a carga horária máxima semanal será reduzida das atuais 44 para 42 horas, sem redução salarial.
A segunda etapa ocorrerá 12 meses depois, quando a jornada máxima passará definitivamente para 40 horas semanais, completando o período de transição de 14 meses.
Veja como será a transição:
- Em até 60 dias: adoção da escala 5x2 e redução da jornada para 42 horas semanais.
- Após 14 meses: redução para 40 horas semanais, mantendo os dois dias de descanso.
- Salários: não poderá haver redução em razão da mudança da jornada.
Durante a fase em que a jornada será de 42 horas, as empresas poderão distribuir as duas horas adicionais entre os cinco dias de trabalho. Se divididas igualmente, a jornada diária será de oito horas e 24 minutos.
Ao final da transição, a regra geral será de oito horas diárias e 40 horas semanais, com pagamento de horas extras quando houver trabalho além dos limites legais.
Escala 6x1 poderá continuar em situações excepcionais
Embora a escala 5x2 passe a ser o modelo padrão, a Emenda Constitucional permite exceções mediante convenções ou acordos coletivos.
Nesses casos, poderão ser adotadas escalas diferentes, desde que sejam respeitados os períodos de compensação e garantida, ao final do mês, a média equivalente a duas folgas remuneradas por semana.
Isso significa que um trabalhador poderá, excepcionalmente, cumprir seis dias consecutivos de trabalho, desde que receba a compensação prevista nas novas regras.
Terceirizados do poder público terão prazo diferenciado
Para trabalhadores de empresas terceirizadas que prestam serviços à administração pública, a transição terá regras específicas.
O prazo para adequação poderá chegar a 12 meses, dependendo da formalização dos ajustes contratuais entre as empresas prestadoras de serviços e o poder público.
A Emenda também prevê a possibilidade de medidas posteriores para reduzir os impactos econômicos da mudança sobre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.
Uma mudança que vai além da jornada de trabalho
A promulgação ocorreu durante sessão solene do Congresso Nacional, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.
A proposta teve sua tramitação concluída no Senado na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário.
A redução da jornada representa uma mudança na organização do trabalho brasileiro, com reflexos na rotina das famílias, no funcionamento das empresas e nas relações entre empregadores e empregados.
Para os trabalhadores, o principal impacto será a ampliação do tempo de descanso sem perda salarial. Para as empresas, começa um período de adaptação das escalas e da organização das atividades.
Com a promulgação, o foco passa a ser a implementação das novas regras, que deverão transformar gradualmente a jornada de trabalho no país.
Por Redação VLPublicado em 16/10/2026

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