Cheia do Rio Paraná avança na fronteira, alaga áreas de Foz do Iguaçu e obriga famílias a deixar casas no Paraguai
Rio atingiu 116,13 metros na região da Ponte da Amizade. Itaipu mantém vertedouro aberto, enquanto Defesa Civil monitora áreas de risco e equipes de emergência auxiliam moradores atingidos pelas inundações.
A cheia dos rios Paraná e Iguaçu mantém em alerta as autoridades da região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina, nesta terça-feira (13). As chuvas intensas das últimas semanas elevaram rapidamente o nível dos rios, provocando alagamentos em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, e obrigando famílias a deixar suas casas em Ciudad del Este, no Paraguai.
Na tarde de segunda-feira (12), o Rio Paraná atingiu a cota de 116,13 metros acima do nível do mar, na estação de monitoramento da Ponte Internacional da Amizade, conforme dados divulgados pela Itaipu Binacional.

No lado brasileiro, a água já alcançou o Porto de Areia, na região do bairro Porto Meira. A Defesa Civil intensificou o acompanhamento das áreas ribeirinhas e orientou moradores e comerciantes a adotarem medidas preventivas.
A situação é mais grave no lado paraguaio. No bairro San Rafael, em Ciudad del Este, mais de 100 famílias receberam assistência em razão da cheia. Parte dos moradores precisou abandonar as residências, enquanto equipes de emergência auxiliam na retirada de móveis, documentos e outros pertences.
A operação reúne profissionais da Itaipu Binacional, integrantes das Forças Armadas e da Marinha do Paraguai, agentes da Secretaria de Emergência Nacional, voluntários e representantes da comunidade.
Itaipu mantém vertedouro aberto para controlar reservatório
Com o aumento do volume de água que chega à hidrelétrica, Itaipu mantém aberto o vertedouro para escoar parte do excedente do reservatório.
A operação faz parte do controle hidráulico da usina, que recebe água do Rio Paraná e de seus afluentes.
O volume liberado pelo vertedouro se soma à água que passa pelas turbinas e segue pelo leito do Rio Paraná abaixo da barragem.

Entretanto, a elevação do rio na região de Foz do Iguaçu não depende apenas das descargas da hidrelétrica. Outro fator importante é a cheia do Rio Iguaçu, que deságua no Paraná abaixo de Itaipu.
O encontro dos dois rios ocorre na região da Tríplice Fronteira, onde o aumento simultâneo das vazões dificulta o escoamento das águas.
Segundo a Itaipu, a operação do reservatório está sendo acompanhada pela Comissão Especial de Cheias, que avalia continuamente as condições hidrológicas e as medidas para reduzir os impactos sobre as comunidades ribeirinhas.
Rio Iguaçu registra vazão seis vezes acima da média
O Rio Iguaçu também apresenta volumes elevados em consequência das chuvas registradas em sua bacia hidrográfica.
Às 8h de segunda-feira (12), a vazão nas Cataratas do Iguaçu chegou a 11.800 metros cúbicos por segundo, aproximadamente seis vezes a média normal para aquele trecho.
A força da água provocou restrições à visitação em áreas das Cataratas, incluindo a interdição da passarela de acesso à Garganta do Diabo.
O grande volume que chega ao encontro com o Rio Paraná provoca um fenômeno conhecido como efeito de remanso.
Na prática, a correnteza do Iguaçu dificulta a saída das águas do Paraná, contribuindo para a elevação do nível do rio e aumentando o risco de inundações nas áreas mais baixas.
Foz do Iguaçu monitora bairros ribeirinhos
Em Foz do Iguaçu, a Defesa Civil mantém atenção especial ao Porto de Areia, no bairro Porto Meira, às áreas ocupadas por pescadores próximas ao Espaço das Américas e às comunidades situadas no vale do Rio Boicy.
O aumento do Rio Paraná também pode represar a água de afluentes menores, agravando o risco de alagamentos em locais próximos às margens.
Segundo informações divulgadas pela Itaipu, as primeiras residências da região do Porto Meira começam a ser atingidas quando o Rio Paraná alcança a cota de 119 metros acima do nível do mar.

Embora a cheia já tenha ultrapassado a marca de 116 metros, as projeções divulgadas até segunda-feira não indicavam que o rio chegaria ao nível de inundação das residências brasileiras.
A Defesa Civil, no entanto, recomenda que moradores de locais vulneráveis acompanhem os avisos oficiais e estejam preparados para deixar as áreas de risco caso a situação se agrave.
Chuvas próximas de 200 milímetros ajudam a explicar a cheia
A elevação dos rios está relacionada ao volume de chuva acumulado nas últimas semanas, especialmente nas bacias que alimentam os rios Paraná e Iguaçu.
De acordo com o engenheiro Paulo Zanelli Jr., coordenador da Comissão Especial de Cheias da Itaipu, algumas estações de monitoramento da bacia do Rio Iguaçu registraram acumulados próximos de 200 milímetros em apenas 72 horas.

Na área de influência do reservatório de Itaipu, houve estações com volumes superiores a 100 milímetros no mesmo período.
A sequência de episódios de chuva desde a segunda quinzena de setembro manteve o solo encharcado e favoreceu o rápido aumento da vazão dos cursos d'água.
As precipitações registradas nas regiões que formam a bacia do Paraná, incluindo áreas do interior de São Paulo, também exigem acompanhamento, já que a água escoa pelos afluentes antes de chegar ao reservatório.
Monitoramento continua na Tríplice Fronteira
A Itaipu Binacional mantém o acompanhamento permanente dos níveis e das vazões dos rios, em articulação com os órgãos de proteção e defesa civil.
No Paraguai, o trabalho de assistência às famílias atingidas prossegue enquanto as águas permanecem elevadas.
Em Foz do Iguaçu, a orientação é evitar a circulação por áreas inundadas, não se aproximar de margens com correnteza intensa e seguir as recomendações das equipes de emergência.
O comportamento dos rios nos próximos dias dependerá principalmente das chuvas nas bacias hidrográficas e da quantidade de água que continuará chegando à região.
A situação exige atenção porque a cheia ocorre simultaneamente nos dois principais rios da Tríplice Fronteira, ampliando os riscos para comunidades instaladas em áreas baixas dos três países.
Por RedaçãoPublicado em 13/10/2026

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