Banco Central reduz projeção do PIB para 1,8% e vê economia perdendo ritmo
Atividade desacelerou depois do início mais forte do ano; BC mantém previsão de inflação de 5,2% para 2026 e estima crescimento ainda menor, de 1,4%, em 2027
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. A revisão consta do Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado nesta quinta-feira (24), e reflete uma atividade econômica que perdeu força ao longo do ano.
Ao mesmo tempo, o BC manteve em 5,2% a projeção para a inflação no encerramento de 2026. O percentual permanece acima do limite superior de 4,5% do intervalo de tolerância da meta, cujo centro é de 3%.
Os números ajudam a mostrar o desafio colocado para os próximos meses: a economia cresce menos, mas a inflação ainda não cedeu o suficiente para deixar de exigir atenção da política monetária.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
PIB desacelera e 2027 também terá crescimento menor
A perda de ritmo já aparece nos resultados do Produto Interno Bruto (PIB). Depois de crescer 1,1% no primeiro trimestre, a economia avançou 0,5% entre abril e junho. Segundo o Banco Central, os primeiros indicadores do terceiro trimestre sugerem continuidade da desaceleração.
Foi esse comportamento, associado a indicadores mais fracos nos últimos meses, que levou a instituição a cortar a projeção anual para 1,8%.
Para 2027, o cenário apresentado pelo BC é ainda mais moderado, com previsão de crescimento de 1,4%.
O mercado de trabalho, por enquanto, apresenta situação diferente. A taxa de desemprego continua em patamar historicamente baixo e o país mantém geração positiva de vagas com carteira assinada, embora em ritmo menor.
Inflação caiu nos últimos meses, mas segue preocupando
O IPCA acumulado em 12 meses recuou de 4,72% em maio para 4,22% em agosto. A melhora recente, entretanto, não foi suficiente para alterar a projeção do Banco Central para o encerramento do ano.
No cenário de referência do Comitê de Política Monetária (Copom), a inflação em quatro trimestres deve chegar a 4,4% no terceiro trimestre, antes de voltar a subir e atingir 5,2% no fim de 2026.
Um dos pontos de atenção continua sendo a inflação de serviços. O BC avalia que ela permanece elevada em um ambiente no qual o mercado de trabalho ainda está aquecido. As expectativas de inflação também seguem acima da meta ao longo do horizonte considerado pela instituição.
Para o primeiro trimestre de 2028, a projeção foi mantida em 3,2%.
Juros caíram, mas BC sinaliza cautela
Na reunião de setembro, o Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano. Mesmo com o início da redução dos juros, o relatório indica que os próximos movimentos deverão depender principalmente do comportamento da inflação e das expectativas.
O cenário externo também pesa nessa avaliação. O Banco Central cita as incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e às futuras decisões de política monetária das principais economias mundiais.
O quadro apresentado nesta quinta-feira, portanto, combina crescimento mais fraco com uma inflação que continua resistente. Para empresas e consumidores, a velocidade de queda dos juros dependerá justamente de quanto essa desaceleração da economia será capaz de reduzir as pressões sobre os preços nos próximos meses.
Por Redação AUPublicado em 24/09/2026 19:26 - Atualizado em 24/09/2026 23:17

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