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Legado de Willy Stein ajuda a contar a história cultural de Erechim

Publicada em: 15/04/2026 13:20 -

No Dia Mundial da Arte, trajetória de Frederico Guilherme Stein reforça a importância da expressão artística na construção da identidade local

 

Celebrado em 15 de abril, o Dia Mundial da Arte é mais do que uma homenagem à criatividade humana, é também um convite à reflexão sobre aqueles que, por meio de sua sensibilidade, ajudaram a construir a identidade cultural de suas comunidades. Em Erechim, um desses nomes é o do escultor Frederico Guilherme Stein, conhecido como Willy Stein (in memoriam) cuja trajetória permanece viva na memória e na história da cidade.

A data, escolhida em referência ao nascimento de Leonardo da Vinci, simboliza a união entre arte, conhecimento e inovação. E, guardadas as proporções de tempo e espaço, é justamente esse espírito que também marcou a atuação de Willy Stein em Erechim.

Com uma produção artística voltada à valorização do cotidiano, das paisagens e da cultura regional, Stein construiu uma obra que dialogava diretamente com o sentimento de pertencimento da comunidade. Suas criações não apenas retratavam cenários, mas interpretavam a essência de uma cidade em constante transformação, ajudando a registrar momentos e identidades que, de outra forma, poderiam se perder no tempo.

Em uma época em que o acesso à arte ainda era restrito fora dos grandes centros, Willy Stein teve papel fundamental na difusão cultural em Erechim. Participando de exposições e iniciativas locais, ele contribuiu para aproximar o público da arte e estimular novos olhares sobre o fazer artístico.

 Seu estilo, associado a traços figurativos com leitura contemporânea, destacava elementos da realidade local com sensibilidade e identidade própria. Ao transformar cenas do cotidiano em expressão artística, Stein consolidou um trabalho que vai além da estética, ele construiu memória.

 No contexto atual, em que a arte também se conecta à economia criativa e à formação social, revisitar trajetórias como a de Willy Stein reforça a importância de valorizar artistas que atuaram, e ainda atuam, fora dos grandes eixos culturais.

Seu legado permanece não apenas nas obras que deixou, mas na influência que exerceu sobre a cena artística local e na forma como ajudou a consolidar a arte como expressão legítima e necessária dentro da comunidade.

Uma história de vida e dedicação

Stein morreu aos 82 anos. Chegou em Erechim com 15 anos. Ficou conhecido desde a adolescência por construir os seus próprios brinquedos. Com galhos de árvore ele esculpia bonecos e instrumentos musicais. Trabalho que, na vida adulta, o transformou em um dos principais escultores de Erechim. As grandes obras da cidade, como crucifixos de igrejas e quadros que retratam a Santa Ceia, têm a sua assinatura.

Apaixonado por música clássica, Stein fez parte da Orquestra de Concertos de Erechim - como músico e também como criador dos instrumentos. Ele consertava e fabricava violinos e violoncelos. Por volta de 1950, começou a consertar também câmeras fotográficas, trabalho que deu início a uma nova paixão.
Como também gostava de fotografar e colecionar fotografias, Willy havia terminado um álbum particular sobre a história de Erechim. É um único exemplar que reúne 400 fotos entre os anos de 1918 a 2008. Na sua residência havia também um acervo com mais de mil fotografias em vidro. O porão de sua casa era um verdadeiro museu que Erechim nunca teve. 

 

Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

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