Veterinário alerta sobre o aumento de casos de pets deixados para trás no verão
O período de férias, associado a viagens, descanso e lazer para muitas famílias, também marca uma época crítica para cães e gatos. Todos os anos, especialmente durante o verão, organizações de proteção animal e clínicas veterinárias registram um aumento significativo nos casos de abandono de pets, uma prática que, além de cruel, é crime previsto em lei.
Com a mudança de rotina e a saída dos tutores da cidade, muitos animais acabam sendo deixados para trás em ruas, terrenos baldios, estradas ou até mesmo abandonados em frente a residências e clínicas veterinárias. A justificativa mais comum, segundo protetores, é a dificuldade de encontrar alguém para cuidar do animal durante a viagem um argumento que especialistas classificam como falta de planejamento e responsabilidade.
O abandono traz consequências graves. Animais domésticos não estão preparados para sobreviver sozinhos. Além do risco de fome, sede e doenças, eles ficam expostos a atropelamentos, maus-tratos e acidentes. O impacto também recai sobre a sociedade. ONGs e protetores independentes ficam sobrecarregados, clínicas enfrentam aumento de atendimentos emergenciais e o poder público precisa lidar com questões de saúde e segurança.
Romildo Protetor
Para detalharmos ainda mais sobre este assunto entrevistamos o veterinário Romildo Pereira da Silva que nos detalhou sobre o tema, a importância do debate e atuais números.
DB: Existe um cálculo no número de animais que são abandonados nesta época do ano?
Romildo: Na verdade não existe um cálculo de números precisamente exatos. Pois hoje além do trabalho envolvendo a prefeitura, precisamos levar em conta o trabalho das ONG’s, protetores e amantes da causa. Porém, mesmo com avanço na conscientização sobre o abandono de animais, inclusive em cidades de médio porte como Erechim. É uma época em que há sim um aumento de casos de abandono, um meio que nos facilita hoje para termos uma base são as redes sociais, todos os dias recebemos pedidos de ajuda de cães encontrados vagando pela nossa cidade.
BD: quais são os mais típicos, ou seja, as pessoas descartam por idade, tamanho, situação econômica, ou outros fatores?
Romildo: O abandono de cães da raça pitbull tem chamado a nossa atenção pois houve um aumento gradativo nos últimos três meses, devido ao preconceito contra a raça, dificuldades de adoção e falta de preparo dos tutores. Muitos são adquiridos por impulso e abandonados quando crescem ou exigem mais cuidados. O problema não está na raça, mas na responsabilidade humana e na desinformação.
BD: Que campanhas já foram adotadas para que houvesse uma diminuição deste quadro?
Romildo: Estamos com uma campanha de conscientização sobre abandono, adoção, castração e cuidado com os animais nas nossas redes sociais, através de vídeos com coleta de depoimentos de tutores que nos relatam suas histórias com os seus animaizinhos, com intuito de disseminar informação e exemplos para que as outras pessoas possam seguir. Além claro, de todo trabalho e luta diária todos os dias aos pedidos de ajuda que chegam auxiliamos e orientamos da melhor maneira.
BD: Geralmente, qual é o caminho destes animais descartados?
Romildo: São postados nas nossas redes sociais, e encaminhados para triagem, através desta triagem observamos alguns fatores como condições financeiras, estruturais e familiar, após essa triagem, o adotante assina um termo de responsabilidade que é fundamental para evitar o abandono novamente e garantir a castração que hoje em nosso município é de forma gratuita. Assim sendo encaminhados para os seus respectivos lares.
BD: Qual seria a solução ideal para quem sai de férias?
Romildo: A solução ideal para quem sai de férias é planejar com antecedência o cuidado do animal, nunca o abandono. Isso inclui deixar o pet com um familiar ou amigo de confiança, contratar um pet sitter ou hospedagem adequada, garantindo alimentação, cuidados e bem-estar. Sempre enfatizamos que o bem estar e a saúde mental dos animaizinhos é de total responsabilidade dos seus tutores.
BD: Qual o nível de responsabilidade que você, como profissional, vê nas pessoas com relação aos seus pets.
Romildo: Infelizmente, ainda observamos um nível de responsabilidade abaixo do ideal. Muitas pessoas adotam ou compram animais sem plena consciência de que se trata de um compromisso de longo prazo. O pet não é um objeto descartável, mas um ser, que cria vínculo e depende totalmente do tutor. Apesar de existirem tutores extremamente responsáveis, ainda é grande o número de pessoas que abandonam seus animais diante de mudanças na rotina, dificuldades financeiras, viagens ou problemas de comportamento do próprio animal, o que demonstra falta de planejamento e empatia.
BD: A curto prazo, o que pode ser feito para diminuir esta situação?
Romildo: Campanhas Educativas principalmente em épocas críticas como nas férias e finais de ano. Divulgações de alternativas ao abandono como hotéis, pessoas que cuidam, lares temporários e até apoio da família. Fortalecer a fiscalização e a aplicação de multas, já que o abandono é crime previsto por Lei! Infelizmente ainda é uma questão muito difícil de eliminar e mesmo tendo todas as orientações ainda acontece muitos abandonos.
