Encontro discutiu retração nas compras industriais, impactos do mercado internacional e políticas públicas de fortalecimento da citricultura
A Famurs sediou, nesta quinta-feira (9/10), uma reunião com representantes da cadeia produtiva da laranja para discutir os desafios e as perspectivas do setor no Rio Grande do Sul. O encontro contou com a participação da presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, de representantes de órgãos públicos, produtores e entidades ligadas à citricultura, entre eles o diretor-geral substituto da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Henrique Leites, e o Superintendente da Conab, Glauto Lisboa, que participou por vídeo junto a prefeitos e representantes de associações ligadas ao tema.
Durante a reunião, foram apresentados os principais entraves enfrentados pelos citricultores, especialmente a redução na movimentação de compra pelas indústrias, que preocupa produtores quanto à entrega da safra e aos preços praticados. O cenário atual reflete a volatilidade internacional: após o recorde de preços do suco de laranja em 2024, o setor enfrenta agora uma forte queda de valores, o que tem afetado tanto as indústrias quanto as propriedades rurais.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre subprodutos do suco de laranja, como óleos essenciais, também agravaram o quadro, comprometendo as exportações e a competitividade do setor gaúcho.
Propostas e medidas em discussão
No encontro, a Famurs, por meio da sua área técnica de Agricultura, representada pelo assessor técnico Ismael Horbach, e da Câmara Setorial da Citricultura, solicitou à Conab a reavaliação dos custos de produção e a atualização do preço mínimo da laranja no Rio Grande do Sul. A medida permitiria o acesso dos produtores à Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) do Governo Federal, oferecendo mais segurança diante da instabilidade do mercado.
Também foi proposta à Conab a avaliação da compra de suco para regulação de preços, como forma de estabilizar o mercado e assegurar renda mínima aos agricultores.
O diretor da SDR, Henrique Leites, destacou as ações do governo estadual voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, com ênfase no Programa Estadual de Compras da Agricultura Familiar (PECAF), que incentiva a aquisição de alimentos produzidos por pequenos agricultores.
“A cadeia da laranja é estratégica para o desenvolvimento regional e para a geração de renda das famílias agricultoras”, afirmou Leites.
Panorama atual e perspectivas
De acordo com dados da Famurs, o Rio Grande do Sul figura entre os principais estados produtores de cítricos, com destaque para o Alto Uruguai e a região de Montenegro. No entanto, os efeitos das tarifas internacionais e das condições climáticas adversas levaram a uma quebra de safra estimada entre 10% e 20% em 2025, com preços médios de R$ 0,70/kg para a laranja destinada à indústria.
Os municípios mais impactados são Erechim, Montenegro, Caxias do Sul, Lajeado, Encantado, Pareci Novo e Vespasiano Corrêa, onde a retração da cadeia já repercute na economia local e na arrecadação das prefeituras.
Apesar das dificuldades, variedades como a montenegrina (bergamota) têm apresentado melhor desempenho de preço e demanda neste ano. O setor aposta na busca por novos mercados, especialmente na Europa e na Ásia, e no fortalecimento de cooperativas e associações como estratégias de enfrentamento.
A presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, destacou que o momento exige união e articulação para proteger a renda dos produtores e a sustentabilidade das propriedades familiares.
“O que acontece hoje com a cadeia da laranja reflete o desafio de muitas cadeias produtivas do Estado. A Famurs seguirá ao lado dos municípios e das entidades representativas para buscar soluções que assegurem competitividade, renda e futuro para a agricultura familiar”, ressaltou Adriane.
