Em Erechim, algumas cafeterias já sentem a alta e buscam soluções para lidar com os impactos e repasse ao consumidor final
Nos últimos meses tem ficado cada vez mais desafiador ir ao mercado, pois o preço dos produtos está em constante reajuste, afetando economicamente o poder de compra dos brasileiros. A situação é mais complicada quando se refere aos produtos básicos, um deles é o café, onde o valor aumenta constantemente.
Recentemente, foi anunciado que os grãos do café arábica (maior parte da produção global) ultrapassou a US$3,44 a libra (0,45 Kg) em dezembro de 2024, o que irá trazer um aumento em 80% para o consumidor final em 2025.
Motivos da alta
Um dos principais motivos para o aumento foram as questões climáticas, como as secas, altas temperaturas e as inundações desde 2021, que afetaram os dois maiores produtores de café do mundo: o Brasil e o Vietnã. Esses fatores influenciaram significativamente nas safras do ano passado, causando alta nos preços, sem contar que o consumo e a popularidade do café também cresceu exponencialmente em diversos países, tendo maior demanda, menor oferta e consequentemente aumento dos preços.
Impacto nas cafeterias
Para entender se esse aumento já está impactando a região, entramos em contato com algumas cafeterias do setor e perguntamos como essa mudança tem afetado suas operações e de que forma estão lidando com a situação. Todas as que consultamos relataram que já sentiram os efeitos desse reajuste. Abaixo, as que autorizaram a divulgação do nome.
“Sim, sofremos com esse aumento, e naturalmente vamos tentar amenizar o máximo possível para o repasse ao consumidor final. É um processo natural e eminente, acredito. Infelizmente todos que estão ligados a esta cadeia sofreram com a alta” (Café Sil Coffeehouse).
“Fatores climáticos e a alta do dólar fizeram com que o preço do café aumentasse significativamente no campo e consequentemente para o consumidor. Aumentos nunca são bem-vindos. Mas acredito que isso não deverá impactar no consumo desta iguaria que é a bebida mais consumida no Brasil. Afinal ele é um excelente estimulador e bons apreciadores vão manter o seu hábito do consumo” (Cafeteria Romani)
“Nossa franquia, que possui fazendas próprias para cultivo e produção do café, também sentiu esse impacto. No entanto, por termos controle sobre toda a cadeia produtiva, conseguimos minimizar o aumento repassado ao consumidor. Dessa forma, mesmo com um reajuste, seguimos mantendo um preço acessível, condizente com o alto padrão de qualidade do nosso café.
Sabemos que o café é uma paixão para muitos, e nosso compromisso é garantir que nossos clientes continuem desfrutando de um produto premium sem que isso pese tanto no bolso. Ter nossa própria produção nos permite amortecer parte dos custos e manter um equilíbrio justo entre qualidade e preço” (Cheirin Bão)
Alta de até 25%
A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) prevê que o preço do café pode subir até 25% nos próximos dois meses. A indústria afirma que ainda não repassou totalmente o aumento do custo da matéria-prima ao consumidor.
