Foram realizadas duas palestras técnicas na 12ª Abertura Oficial da Colheita do Milho do Estado, nesta quinta-feira (23), na Granja Busnello, em Paulo Bento
Quase mil pessoas prestigiaram a 12ª Abertura Oficial da Colheita do Milho do Estado do Rio Grande do Sul, na manhã desta quinta-feira (23), na Granja Busnello, em Paulo Bento. O milho é um dos cereais mais versáteis do mundo, é utilizado para alimentação humana e animal, cultura que dá suporte para muitas cadeias produtivas, por exemplo, como da proteína animal, suinocultura, avicultura, gado de corte e leite, e produção de biodiesel.
Na região Alto Uruguai, o milho tem 37.440 hectares plantados, área 15% menor que a safra passada, com produtividade média esperada de 9 mil quilos por hectare, segundo dados da Emater/Ascar. A área plantada no Estado, nesta safra, é de 748.511 hectares, o que representa redução de 7,5% em relação à anterior. O Rio Grande do Sul tem consumo interno de 6,6 milhões de toneladas, por ano, e um déficit, em anos normais, de 1,5 milhão de tonelada.
O anfitrião do dia, o produtor, Delciomar Busnello, comenta que, nesta safra, aumentou a área plantada de milho na granja de 70 para 130 hectares. “A rotação de cultura é fundamental, porque onde planta milho, no ano seguinte, a soja produz um, dois, até três sacos a mais por hectare. A rotação de cultura é muito importante, investimos, arriscamos, e a lavoura está muito bonita. Outras regiões não tiveram a sorte da chuva que tivemos, a lavoura foi bem conduzida e a produção vai ficar na faixa de 190 a 200 sacos por hectare”, explica o produtor.
Cuidados com o solo
Na pré-abertura, antes do ato oficial da colheita, houve duas palestras técnicas, a primeira com o pesquisador da Embrapa Trigo de Passo Fundo, Giovani Faé. Segundo ele, é preciso ter um solo vivo, com fertilidade biológica e poroso para alcançar as altas produtividades.
“O maior ganho que a cultura do milho vai dar para o sistema de produção são as raízes, espessas, duradouras e profundas. Esse conceito que precisa ficar desta lavoura fantástica que, além de trazer renda, dar condições para a indústria funcionar, ela vai construir macroporosidade biogênica, ou seja, formação de poros grandes de forma biológica. Esta é chave do negócio e o milho traz isso”, explica Faé.
Outra questão importante, destacada por ele, é pensar o bom manejo do solo 365 dias do ano. “Quem toma a decisão é o agricultor, ele é o arquiteto do sistema de produção. O solo com bom manejo suporta, por 34 minutos, uma chuva de 125 milímetros, por hora. O solo mau manejado suporta, a mesma chuva, por 6 minutos, isto é, depois de 6 minutos ele perde nutrientes, matéria orgânica e, possivelmente, solo também”, ressalta o pesquisador. Ele também enfatizou que o melhor indicador para avaliar a lavoura é quanto custa por hectare. “Temos que falar em reais por hectare, esse é o indicador”, afirma ele.
Mercado do milho
Em seguida, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, fez uma análise do mercado do milho, olhando para as perspectivas do preço, que, na sua visão, parecem muito boas. “Afinal de contas, estamos com uma produção menor no mundo e no Brasil. A produção brasileira deve ser menor ainda, em virtude dos problemas climáticos, mais no centro-oeste, porque teremos um atraso maior do que se estava previsto, no plantio do milho, em razão das chuvas que estão acontecendo por lá. Teremos um ano bastante promissor, não só da produção, mas, também, da comercialização do milho”, observa o economista.
“Nós estamos pelo quinto ano, consecutivo, com problemas na safra. Em 2020 tivemos problemas, 2021 foi bom, 2022, 2023 e 2024 foram ruins, 2025 está sendo ruim. Aqui, nesta região, o problema não é tão grave, já nas missões, fronteira oeste e centro do Estado temos problemas bem mais sérios de produtividade por conta da seca”, relata Antônio.
De acordo com ele, se está desperdiçando tempo e riqueza, porque, afinal de contas, se poderia ter mais armazenamento de água, mais irrigação, menos burocracia e regras que atrapalham o desenvolvimento. “Precisamos parar de colocar dinheiro fora, porque cada grão de milho que tiramos da lavoura, além de gerar riqueza no campo, vai gerar riqueza na cooperativa, na cerealista, nas indústrias de defensivos e fertilizantes, no comércio, transportes, indústria de ração, na produção suína, ou seja, poderia passar o dia dando exemplos de negócios que surgem a partir do milho. Ver este milharal na Granja Busnello, assim como da região, vai trazer muita riqueza para a região, muitos negócios e emprego, que não ficam no campo, mas na cidade, por isso a importância dele”, enfatiza Antônio.
