Soja, milho e carne bovina puxaram o resultado, segundo levantamento do Ipea; no Estado, o Portos/RS indica salto nos embarques de madeira


As exportações do agronegócio brasileiro cresceram 20,9% no primeiro semestre do ano, atingindo o faturamento de 61,5 bilhões de dólares, contra 50,9 bilhões de dólares  no mesmo período de 2020. O cálculo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), indica que a maior parte do resultado advém das vendas de soja, milho e carne bovina.

De acordo com a pesquisadora associada ao Ipea Ana Cecília Kreter, a soja segue sendo o principal produto de exportação do Brasil. A receita  do grão no semestre teve alta de 25,3% em relação ao mesmo   período do ano passado, chegando a 24,8 bilhões de dólares.

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O economista da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro), Tarcísio Minetto, estima que  as exportações de soja e milho vão perder parte da força no segundo semestre em razão especialmente do recuo da oferta. “As duas culturas estiveram com preços aquecidos logo após a colheita e o produtor não esperou para vender”, observa.

Para Minetto, a escassez  do milho vai ser maior, uma vez que houve perdas do grão no Brasil, tanto na primeira como na segunda safra. O economista observa, porém, que deve ser colhida uma boa safra de trigo, o que pode compensar parte do recuo nas vendas de soja e milho.

O Portos/RS divulgou os resultados da  exportações nos terminais marítimos do Rio Grande do Sul, que embarcaram 20,8 milhões de toneladas de  cargas no primeiro semestre, com destaque para a soja e a madeira.

No caso da madeira, houve incremento de 315% nas vendas em relação ao mesmo período de 2020.  O presidente da Associação Gaúcha das Empresas Florestais (Ageflor), Paulo César Azevedo, atribuiu o aumento à taxa cambial, que tornou o preço da madeira brasileira bastante atrativo.



Nereida Vergara / Correio do Povo