Possível vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford
Foto: Sean Elias - 04.abr.2020 / Divulgação / Reuters


A morte do voluntário brasileiro nos testes com a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca não teve relação com efeitos da substância, mas com complicações de Covid-19 que o homem, que era médico, contraiu enquanto atuava na linha de frente do combate à pandemia. 

A afirmação foi feita à CNN, nesta quinta-feira (22), pela pneumologista Margareth Dalcolmo, que é pesquisadora da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que deu detalhes sobre o perfil do voluntário, cuja morte foi comunicada nessa quarta-feira (21) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

"Naturalmente, a morte desse colega nos trouxe tristeza e luto enormes, por ser um colega dedicado desde o início da epidemia no Brasil, trabalhando na linha de frente desde março", lamentou a pesquisadora, que frisou não haver informações sobre se o colega de profissão recebeu a vacina ou o placebo no teste para o qual foi voluntário.

Margareth destacou, inclusive, que essa informação é "absolutamente inviolável". "Nós não temos a informação sobre se tomou placebo ou vacina. É absolutamente inviolável, e isso faz parte dos acordos internacionais de confidencialidade", explicou. 

"Qualquer comentário sobre isso bastante temerário, porque essa informação não é possível de ser [obtida]. A quebra desse lacre dependeria da autorização dos grupos de qualidade, de controle, de segurança e do próprio patrocinador – o que, ao que nós sabemos, não houve", acrescentou.

Segundo ela, o que aconteceu foi "a morte muito triste de um jovem colega, na flor da sua idade, trabalhando e atendendo pacientes com Covid-19". A CNN ainda apurou que o voluntário que morreu era homem, de 28 anos e morador do Rio de Janeiro. 

Ainda conforme a pesquisadora, o voluntário só chegou a receber a primeira dose – da vacina ou do placebo – ainda em junho, e ficou doente logo depois. "Ele ficou doente na força do exercício do trabalho. Ficou internado por várias semanas antes de falecer, então não há uma relação entre causa e efeito entre a morte por Covid-19. Ele não faleceu por efeito adverso relacionado à vacina", garantiu ela.

À CNN, o ex-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto disse acreditar que a morte "provavelmente não tem relação" com os testes.

"Essa morte não teve relação com a vacina e, muito provavelmente, iria ocorrer independentemente de ele estar tomando ou não, e, por isso, prosseguem os testes", acrescentou o médico, que frisou que os voluntários seguem vida normal e, eventualmente, podem sofrer acidentes ou mortes por outras causas.

De acordo com o Gonzalo, caso ficasse comprovado que a morte teve relação com a substância, os procedimentos da fase 3 de ensaios clínicos teriam sido interrompidos. "Se não houve suspensão dos testes, ela foi analisada e, provavelmente, não teve a ver com a vacina em si", defendeu.


Nota da Anvisa


Em nota divulgada nesta quarta-feira (21), a Anvisa informou que recebeu dados da investigação realizada pelo Comitê Internacional de Avaliação de Segurança. Ainda de acordo a agência, não foi recomendada a interrupção do estudo.

“A Anvisa reitera que, segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes”, afirmou a agência.  




Por: CNN Brasil

22/10/20